Quem é "A PESTE" ??

17 de julho de 2009 | comentários: 11

                                                        Peste nº1

 

Existem ainda loucos aventureiros, que teimam em remar contra a maré, que lutam contra os moinhos da ignorância montados em poderosas... mulas !!! (desculpem mas o orçamento não chega para comprar cavalos... e sim, a crise também afecta a imaginação :D).

Apesar do estado moribundo da banda desenhada em Portugal, ao nível das editoras portuguesas. Existem uns poucos mas irredutíveis bravos, que se recusam em deixar morrer esta nobre arte.

Um desses bravos (louco aventureiro... mas no bom sentido!!) é o criador e editor da revista de menor circulação em Portugal... e arredores, a Peste.

Estou a falar de Eduardo d'Orey, personagem misteriosa e utópica, responsável pela verdadeira epopeia que é editar uma revista sem padrinhos ou lobbys editoriais.

Fica prometido para um próximo post, o perfil deste herói e uma entrevista (se ele deixar é claro!!), porque a personagem principal desta história é a... Peste.

Enganem-se aqueles que julgam que se trata de mais uma revista de banda desenhada, como se houvessem muitas... A Peste satiriza a sociedade, demonstrando por a+b, a anedota que é a nossa vida de português. Os desenhos são uma parte importante mas as crónicas não ficam atrás, com especial realce para o polêmico texto que saiu na última edição (edição nº6), "As consequências do 25 de Abril foram uma merda!!".

Mas por muito descritiva que seja a minha análise da Peste, nada melhor do que a descrição feita pelo próprio criador na página oficial da revista: http://www.myspace.com/apeste

A Peste é uma publicação apolítica, areligiosa e sobretudo amoral.

Destina-se aos que sabem ler e aos que não sabem, e por isso tem bonecos - assim nunca dirão dela que é elitista, entre outras coisas.

A Peste não usa preservativo nas palavras e não bebe água engarrafada: faz promessas apenas ao Pai Natal, honra o descanso do domingo de manhã e ao 25 de Abril prefere comemorar o Carnaval e o Santo António. À galinha dos ovos de ouro prefere a pata dos ovos de ouro que os tem maiores. Recusa sentimentos normalizados e desconhece emoções pasteurizadas; foge de ambientes pressurizados, rejeita pessoas formatadas e opiniões estilizadas - por isto tudo, e mais, é a única revista verdadeiramente egocêntrica.

E quem fala (escreve) assim não é gago!!

Apresento-vos agora as capas das edições que já sairam e que podem encomendar na página oficial da Peste.

 

Peste nº1 no Luca Bd Peste nº2 no Luca Bd Peste nº3 no Luca Bd

Peste nº4 no Luca Bd Peste nº5 no Luca Bd

 

A estas edições falta acrescentar a última que é a revista nº6, precisamente aquela que tenho entre mãos e que vou analisar mais profundamente (mas não muito porque tenho fobia a trabalhos pesados... bem, na realidade a qualquer tipo de trabalho!!) já de seguida.

  • NOTA: Antes de mais nada, convém explicar o porquê de "A Peste" ser a revista de menor circulação em Portugal e arredores. Para além de uma tiragem limitada (muito limitada!!!), a revista é editada... anualmente!!!! Sim, só sai um número por ano, o que dificulta ainda mais a sua divulgação. Este será porventura o único ponto negativo, já que a sua qualidade e irreverência mereciam mais edições. Acredito que a principal razão seja económica, já que é muito dispendioso editar revistas fora dos meios tradicionais. Na minha opinião (quem sou eu para isso...mas digo na mesma), o futuro da revista devia passar por edições online intervaladas com as edições tradicionais. Assim, o espirito destemido de "A Peste" alcançava mais leitores e daria mais projecção aos jovens artistas presentes na revista. Fica aqui lançada a ideia...

edição nº6 no Luca BD

A PESTE Nº 6

 

Esta edição começa com um brilhante editorial do bravo Eduardo d'Orey, acerca dos provérbios populares adequados às profissões. Um texto imperdível que revela o tom satírico da revista, digno de um Gil Vicente (pode ser um pouco exagerado,Gil Vicente é Gil Vicente, mas é marketing... temos de vender!!).

Como não podia deixar de ser, visto ser esse o propósito do Luca BD, o meu destaque vai para a Banda Desenhada, muito bem representada por jovens artistas que ainda vão dar que falar. Nomes como Claudino Monteiro, Teresa Pestana, Filipe Frade (Ninja), Carlos Farinha, Filipe Goulão e Gon são uma espécie de selecção sub 21 da BD, não pela idade mas sim pela sensação de esperança, em relação ao futuro da arte em Portugal. Haja quem tiver coragem de dar mais oportunidades...

A Peste no Luca Bd

    Nesta minha primeira abordagem à revista " A Peste" não vou destacar nenhum trabalho em especial, visto que este post já está um pouco longo. Nas próximas rubricas sobre a revista, vou analisar e mostrar mais detalhadamente, o excelente trabalho dos vários artistas presentes nesta edição. Devo referir ainda o papel escolhido para editar esta revista, que apesar de ser alternativo e atraente a nível de design e extravagância, dificulta um pouco a visualização da arte, atrapalhando inclusive a observação dos pormenores presentes nas várias histórias.

Mas para uma revista alternativa, também o papel tem de ser alternativo!!

Uma última nota para os vários textos espalhados pela revista da autoria do próprio Eduardo d'Orey, pelo caústico Lúcio Ferro, pelo turbulento Alexandre Filho-Coelho e pelo surpreendente José Sereno, autor do excelente texto sobre as consequências do 25 de Abril.

Todas estas crónicas são excelentes e sobretudo fazem-nos pensar, numa sociedade portuguesa que vive de fachadas, como um pseudo rico que só tem imagem mas não tem conteúdo. A coragem de mostrar o que está por baixo do tapete é que faz avançar uma nação, e estes cronistas, montados em poderosos Hoover, estão dispostos a limpar preconceitos e ideias seculares obtusas. Merecem uma leitura atenta e pensativa. Basta teres coragem para abrir a tua mente!!

 

Luca BD

 

Não deixes de visitar a página do Eduardo d'Orey no MySpace e deixares um comentário ou uma ideia para futuras edições. Basta clicar aqui: A PESTE

 

Não percam futuramente mais histórias por detrás da Peste (ok... por detrás salvo seja. Bolas,que a língua portuguesa é traiçoeira :D)